AOFERGS participa de palestra sobre adoecimento psíquico dos trabalhadores da Segurança Pública do RS

O presidente da Associação dos Oficiais do Estado do RS – AOFERGS, Paulo Ricardo da Silva, participou no sábado (29) da palestra ‘Adoecimento Psíquico dos Trabalhadores’, promovido pela deputada Luciana Genro, e com a presença de Christian Dunker.

A atividade foi marcada pela presença de representantes da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (AOFERGS, ABAMF, ABERGS, UGEIRM, SINDPPENRS, ASASEPODE, entre outras), além de uma grande e importante fala de Dunker, psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da USP.

“Estamos aqui com um princípio e vocês estão vendo o quanto é radical este princípio de colocar a palavra em primeiro lugar. É colocar o comum em primeiro lugar, não é fácil, não é simples. Precisamos entender e reconstruir um percursos que levou a gente de ensurdecimento para o sofrimento, para a reaparição, agora batendo na nossa cara, Burnout Epidêmnico. Quem vai pagar essa conta? Já se perguntaram? É um ano de afastamento. É uma guerra jurídica. Porque parece que a saúde mental é uma espécie de fronteira final, onde você não consegue aplicar indefinidamente o princípio de fazer sofrer mais para produzir mais. Hoje o Brasil é a quarta ou terceira população carcerária do mundo. E a gente olhar pra isso e diz não, mas escuta, porque não temos outra política pra isso? Pra que continuar expondo vidas dos nossos policiais?”

O presidente da AOFERGS em seu primeiro tempo de fala, ressaltou a importância do cuidado com a saúde mental sem simplificar o processo, que é muito mais complexo do que a pressão da profissão. “Nós temos o mesmo efetivo previsto em 1997 para o Rio Grande do Sul. Continuamos com 52% do efetivo previsto e precisa dar segurança para os 497 municípios do Rio Grande do Sul e somos cobrados por produtividade, o que é anunciado pelo Governo do Estado, e quem reduz estes índices é o Soldado que está na rua”.

Em seu segundo tempo de fala, assista no tempo, a partir de 1:44:30 a fala do presidente da AOFERGS sobre a conduta do militarismo em https://www.youtube.com/live/8b8QpU1J08s .

“A deputada é uma defensora realmente das causas Brigadianas, mas a senhora vai me permitir democraticamente discordar de algumas coisas. Eu sou Soldado de 1983, eu fiz três cursos na Brigada e garanto pra você que nenhum dos cursos me ensinou a bater em ninguém. Nenhum dos cursos me ensinou a ser abusivo com ninguém. O militarismo não me tornou mais ou menos abusivo, ele é só uma doutrina, um sistema de conduta. Se fosse o militarismo, nós não teríamos abuso na SUSEPE, nem na Polícia Civil, que eu acredito que também não foram ensinados a bater. Os abusos pessoal, eles tem CPF. Eles não são sistemas. E deputada, se alguém disse pra senhora que alguém que ‘baixou’ por problemas psiquiátricos é maltratado na unidade, eles são maltratados por CPFs, algumas pessoas que já tem problemas naturalmente que tratam mal, porque normalmente a gente acolhe. Eu já fui Comandante, eu já fui Comandado, então a gente acolhe, só que alguns CPFs não tem jeito. Eles são abusivos, e nós punimos. Nós temos abusos, temos, e todo mundo vê, mas estão em CPFs”, disse o presidente Ricardo.

Ressaltando sobre um questionamento sobre a relação da polícia com a sociedade e em alguns lugares. “Nós temos medo que ela vire alvo da criminalidade, é por isso que nós não conversamos com muitas pessoas, quando estamos em áreas de risco. Porque daqui a pouco, como se diz muito no Rio de Janeiro, “eles vão para o micro-ondas” – porque nós conversamos, e que qualquer denúncia que houver, podem achar que foi a pessoa que estava conversando com a polícia. Então, as vezes nós tentamos também, desta forma proteger a sociedade. Existem realmente problemas, sim existem, mas estes problemas têm CPF e não o sistema”, finalizou.

A AOFERGS reafirma o seu compromisso com a defesa e garantia dos direitos dos policiais militares do Rio Grande do Sul, colocando-se sempre à disposição do debate sobre a construção de políticas de melhorias que contribuam para a realização dos serviços, mas fundamentalmente que eles sejam realizados por homens e mulheres que tem também preservada, cuidada ou acompanhada sua saúde mental.

Nosso compromisso é com o militar, a sociedade, mas fundamentalmente em apresentar uma Corporação que não mede esforços para proteger, preservar, cuidar da sociedade gaúcha com respeito e responsabilidade, mas alertando para os cuidados fundamentais para as pessoas que cuidam.

AOFERGS
Juntos somos mais fortes!

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